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terça-feira, 22 de março de 2011

Bita do Barão aconselha a Sarney: "Banque o duro"

Quinta, 6 de agosto de 2009, 08h58 Atualizada às 01h52

Bita do Barão aconselha a Sarney: "Banque o duro"

Claudio Leal
Os mistérios mais impenetráveis do senador e ex-presidente da República José Sarney podem não estar nos escaninhos dos atos secretos, no Senado. Em Codó, no Maranhão, o pai-de-santo Bita do Barão, 93 anos, encerra em muralhas de reticências os segredos espirituais de uma das carreiras políticas mais longevas do Brasil.
Comendador da República condecorado por Sarney em 1988, o pai-de-santo de terecô Wilson Nonato de Souza se fez Bita do Barão "tanto na linha branca como na linha negra". Na cidade com brumas de enigmas, a 300 km de São Luís, a religião de origem africana, mais próxima da Umbanda, cativa políticos e artistas.
Entrevistado por Terra Magazine, o guia espiritual se revela um mestre da desconversa, que é também uma arte. Aberto às perguntas amplas, fechado às específicas, demonstra amizade à família Sarney nas declarações de afeto e nos silêncios ressabiados.
Dessa forma, Bita do Barão afirmará que Sarney tem o "corpo fechado". Tarefa mais árdua será arrancar dele quando ocorreu o último papo entre os dois. O religioso aprecia uma frase certeira da desconversa: "Tô lembrado, não...".
Numa piscada de olho telefônica, porque não está lá para cultivar cercalourenços, o pai-de-santo confessará ao repórter: "O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...". Mais reticências, obrigado.
Aos que duvidam do poder encantatório desse sacerdote nonagenário, um exemplo visual para amornar os preconceitos ou as zangas dos ateus: o Portal Imirante, do grupo Sarney, ostenta um banner com Bita do Barão. Enquanto o "Mr. Moustache" mais famoso da República discursava, na tribuna do Senado, Codó reluzia na página virtual.
No topo, o anúncio do "maior festejo umbandista do Brasil", de 15 a 21 de agosto, dividia olhares com a manchete: "Sarney diz que não renunciará à presidência". Nesse mês aziago para os getulistas e abençoado para Bita do Barão, o Senado debate o futuro do seu conterrâneo. Numa rara ajuda ao ofício jornalístico, o codoense revela qual conselho daria (se é que não deu) ao amigo:
- Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro - recomenda o pai-de-santo de Sarney.
Ao saber que o ex-governador do Maranhão avisou aos colegas e nomeados que ficará na presidência do Senado, o velho sacerdote abriu uma gargalhada, como quem insinua: eu não disse? Sim, era como se Sarney lhe tivesse ouvido, a milhares de quilômetros, na conquista do lugarzinho federal.
Terra Magazine - O senhor é amigo do senador José Sarney, que já lhe condecorou. Como vê essa situação no Senado, tem conversado com ele?
Bita do Barão - Não, eu não converso com ele...
Como se conheceram?
Somos aqui do Maranhão. Somos maranhenses, sou amigo dele e de todo mundo. Sou bem popular. Não é só dele, não.
E essas denúncias contra ele?
Não sei bem quais são...
Ele encomenda algo ao senhor, pede sua ajuda?
Todo mundo que me encontra diz: "Reza pra mim". Essa coisa é quase natural. Eu tenho quase 100 anos de trabalho espírita.
Agora, nessa ocasião especial, o que ele conversou com o senhor?
Não conversei isso com ele, não. Quando eu converso sobre os meus trabalhos espíritas, eu não revelo, não.
Não revela, mas, por conta própria, o senhor reza por ele?
Rezo por todo mundo. Rezo por esse Brasil. Você tá ligando pra mim, mais tarde eu vou fazer uma prece pedindo forças encantadas pra ti.
Obrigado. Nesse caso, o senhor já fez?
Sou amigo dele. Particular. E amigo particular só quer ver o bem. Meus amigos eu quero ver felizes.
E fez algum trabalho pra ele?
Ainda não.
Ele tem corpo fechado pra enfrentar isso aí?
Eu acho. Acho. Acho ele muito forte, muito inteligente, muito protegido por Deus.
Estão sendo injustos com ele?
Ah, eu não sei, porque eu não entendo de política. Eu sou muito seguro. O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...
Muito seguro?
Eu sou, graças a Deus.
Como é feito um trabalho pra ajudá-lo?
Ah, eu não sei. Cada qual trabalha com seu jeito. É o mesmo que a medicina.
Pela longa amizade com Sarney, o que aconselharia?
Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro. É pra bancar o duro, não o fraco. É pra ficar no lugarzinho dele.
Ele terminou de fazer o discurso e disse que vai resistir.
(gargalhadas) Vai ficar aí, esse é o meu conselho. Continue, amigo, em seu lugar! Não saia assim. Saia com muita guerra. Pouca, não.
Em umbanda, existe um guia espiritual pra ele?
Ele é muito forte, ele tem os bons guias dele também. Acredita muito em Deus. Você não viu que ele é muito forte, não? Não viu isso? Você também não acha ele forte, não?
Tem demonstrado força no Senado...
Pois é isso aí, meu amigo. Com força é que se vence. Com fé. E ele vai vencer. Não pede nada pra ninguém. Ele vai vencer.
Qual foi a última vez que vocês conversaram? Faz muito tempo?
Tô lembrando, não...
E o senhor não pode falar, né?
Não dá.
Essa coisa não se pode dizer?
Não... Não falo nesses particulares. Nem dele, nem de ninguém. Tenho uma casa muito oculta, graças a Deus. Além de tudo, sou muito feliz. Sou pobre, mas rico de espírito. Como convidado de honra, quero te receber em minha festa. Em 15 de agosto, gostaria de oferecer um jantar.
O senhor já foi a Brasília?
Vou quase toda semana. Vou muito...
Quase toda semana?
Vou em Brasília demais!
Muitos políticos lhe procuram?
Não tô lembrado, não...
O presidente Lula, como é?
Ele é forte. Brasília... No início de Brasília, eu já freqüentava lá.
A família Sarney é toda protegida?
São gente boa. Eu sou quase da família.

Terra Magazine

Quinta, 6 de agosto de 2009, 08h58 Atualizada às 01h52

Bita do Barão aconselha a Sarney: "Banque o duro"

Claudio Leal


Os mistérios mais impenetráveis do senador e ex-presidente da República José Sarney podem não estar nos escaninhos dos atos secretos, no Senado. Em Codó, no Maranhão, o pai-de-santo Bita do Barão, 93 anos, encerra em muralhas de reticências os segredos espirituais de uma das carreiras políticas mais longevas do Brasil.
Comendador da República condecorado por Sarney em 1988, o pai-de-santo de terecô Wilson Nonato de Souza se fez Bita do Barão "tanto na linha branca como na linha negra". Na cidade com brumas de enigmas, a 300 km de São Luís, a religião de origem africana, mais próxima da Umbanda, cativa políticos e artistas.
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Entrevistado por Terra Magazine, o guia espiritual se revela um mestre da desconversa, que é também uma arte. Aberto às perguntas amplas, fechado às específicas, demonstra amizade à família Sarney nas declarações de afeto e nos silêncios ressabiados.
Dessa forma, Bita do Barão afirmará que Sarney tem o "corpo fechado". Tarefa mais árdua será arrancar dele quando ocorreu o último papo entre os dois. O religioso aprecia uma frase certeira da desconversa: "Tô lembrado, não...".
Numa piscada de olho telefônica, porque não está lá para cultivar cercalourenços, o pai-de-santo confessará ao repórter: "O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...". Mais reticências, obrigado.
Aos que duvidam do poder encantatório desse sacerdote nonagenário, um exemplo visual para amornar os preconceitos ou as zangas dos ateus: o Portal Imirante, do grupo Sarney, ostenta um banner com Bita do Barão. Enquanto o "Mr. Moustache" mais famoso da República discursava, na tribuna do Senado, Codó reluzia na página virtual.

No topo, o anúncio do "maior festejo umbandista do Brasil", de 15 a 21 de agosto, dividia olhares com a manchete: "Sarney diz que não renunciará à presidência". Nesse mês aziago para os getulistas e abençoado para Bita do Barão, o Senado debate o futuro do seu conterrâneo. Numa rara ajuda ao ofício jornalístico, o codoense revela qual conselho daria (se é que não deu) ao amigo:
- Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro - recomenda o pai-de-santo de Sarney.
Ao saber que o ex-governador do Maranhão avisou aos colegas e nomeados que ficará na presidência do Senado, o velho sacerdote abriu uma gargalhada, como quem insinua: eu não disse? Sim, era como se Sarney lhe tivesse ouvido, a milhares de quilômetros, na conquista do lugarzinho federal.
Terra Magazine - O senhor é amigo do senador José Sarney, que já lhe condecorou. Como vê essa situação no Senado, tem conversado com ele?
Bita do Barão - Não, eu não converso com ele...
Como se conheceram?
Somos aqui do Maranhão. Somos maranhenses, sou amigo dele e de todo mundo. Sou bem popular. Não é só dele, não.
E essas denúncias contra ele?
Não sei bem quais são...
Ele encomenda algo ao senhor, pede sua ajuda?
Todo mundo que me encontra diz: "Reza pra mim". Essa coisa é quase natural. Eu tenho quase 100 anos de trabalho espírita.
Agora, nessa ocasião especial, o que ele conversou com o senhor?
Não conversei isso com ele, não. Quando eu converso sobre os meus trabalhos espíritas, eu não revelo, não.
Não revela, mas, por conta própria, o senhor reza por ele?
Rezo por todo mundo. Rezo por esse Brasil. Você tá ligando pra mim, mais tarde eu vou fazer uma prece pedindo forças encantadas pra ti.
Obrigado. Nesse caso, o senhor já fez?
Sou amigo dele. Particular. E amigo particular só quer ver o bem. Meus amigos eu quero ver felizes.
E fez algum trabalho pra ele?
Ainda não.
Ele tem corpo fechado pra enfrentar isso aí?
Eu acho. Acho. Acho ele muito forte, muito inteligente, muito protegido por Deus.
Estão sendo injustos com ele?
Ah, eu não sei, porque eu não entendo de política. Eu sou muito seguro. O senhor vai conversar comigo, mas eu sou muito seguro...
Muito seguro?
Eu sou, graças a Deus.
Como é feito um trabalho pra ajudá-lo?
Ah, eu não sei. Cada qual trabalha com seu jeito. É o mesmo que a medicina.
Pela longa amizade com Sarney, o que aconselharia?
Que ele continue no lugarzinho dele. Não banque o fraco, banque o duro. É pra bancar o duro, não o fraco. É pra ficar no lugarzinho dele.
Ele terminou de fazer o discurso e disse que vai resistir.
(gargalhadas) Vai ficar aí, esse é o meu conselho. Continue, amigo, em seu lugar! Não saia assim. Saia com muita guerra. Pouca, não.
Em umbanda, existe um guia espiritual pra ele?
Ele é muito forte, ele tem os bons guias dele também. Acredita muito em Deus. Você não viu que ele é muito forte, não? Não viu isso? Você também não acha ele forte, não?
Tem demonstrado força no Senado...
Pois é isso aí, meu amigo. Com força é que se vence. Com fé. E ele vai vencer. Não pede nada pra ninguém. Ele vai vencer.
Qual foi a última vez que vocês conversaram? Faz muito tempo?
Tô lembrando, não...
E o senhor não pode falar, né?
Não dá.
Essa coisa não se pode dizer?
Não... Não falo nesses particulares. Nem dele, nem de ninguém. Tenho uma casa muito oculta, graças a Deus. Além de tudo, sou muito feliz. Sou pobre, mas rico de espírito. Como convidado de honra, quero te receber em minha festa. Em 15 de agosto, gostaria de oferecer um jantar.
O senhor já foi a Brasília?
Vou quase toda semana. Vou muito...
Quase toda semana?
Vou em Brasília demais!
Muitos políticos lhe procuram?
Não tô lembrado, não...
O presidente Lula, como é?
Ele é forte. Brasília... No início de Brasília, eu já freqüentava lá.
A família Sarney é toda protegida?
São gente boa. Eu sou quase da família.

Terra Magazine

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