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terça-feira, 15 de março de 2011

HISTÓRIA DO MEIER - RIO DE JANEIRO

MEIER

História (transcrição na íntegra do blog: http://oriodeantigamente.blogspot.com/2011/01/meier.html)
O Méier, era ainda um ponto zero no Mapa do Rio de Janeiro e quem comandava a vida suburbana mais próxima de São Cristóvão, era o Engenho Novo. No inicio do séc. XVIII, na região do Méier, predominava um verdadeiro mar de cana de açúcar, onde os jesuítas eram os verdadeiros donos dessas terras na Fazenda do Engenho Novo na área do Méier. Em 14 de março de 1760, devido a um desentendimento com a Corte Portuguesa, foram expulsos do Brasil, em cumprimento do Alvará de 03 de setembro de 1759, os padres jesuítas, abandonavam suas terras e por ordem do Vice-Rei, as terras foram vendidas e leiloadas e divididas em 03 partes: ENGENHO VELHO, ENGENHO NOVO e SÃO CRISTÓVÃO.Os novos proprietários do Engenho Novo eram os senhores Manoel de Araújo Gomes, Manoel Joaquim da Silva Castro e Manoel Teixeira, que imediatamente trataram de explorar a região.
O ÍNICIO DE TUDO: A OCUPAÇÃO
A ocupação da Região Grande Méier começou quando Estácio de Sá doou aos jesuítas a extensa Sesmaria de Iguaçu. Esta Sesmaria englobava uma vasta extensão de terras que incluía os atuais bairros do Grande Méier e de outras Regiões, como Catumbi, Tijuca, Benfica e São Cristóvão. No entorno do atual bairro do Méier, os padres instalaram três engenhos de açúcar: Engenho Velho, Engenho Novo e São Cristóvão.
Os jesuítas utilizavam grande número de escravos em seus empreendimentos, o que impulsionou a ocupação territorial e a expansão demográfica da área. A colonização teve início nos territórios do Engenho Velho e do Engenho Novo, estendendo-se posteriormente aos núcleos que se formavam no entorno dos templos construídos pelos religiosos, como a Igreja de São Francisco Xavier (1625).
O CRESCIMENTO E A DESCOBERTA DE OURO
A construção, em 1720, da capela dedicada a São Miguel e N. Sa. da Conceição, no Engenho Novo, impulsionou o crescimento da área que ia do Engenho Novo e Benfica até o atual bairro Engenho de Dentro. Em 1759, quando o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas, as terras passaram às mãos de Manuel Gomes, Manuel da Silva e Manuel Teixeira. Com o objetivo de explorar a madeira e, posteriormente, para o cultivo de frutas e hortaliças, os três devastaram as matas ainda existentes, formando os grandes espaços vazios que atraíram posseiros e foreiros e permitiram a ocupação do solo.

"O Marquês de Pombal expulsando os jesuítas" (1766), por Louis-Michel van Loo e Claude Joseph Vernet.

Os escravos forros construíram barracos no Morro dos Pretos Forros, estendendo a ocupação ao entorno dos núcleos nascidos devido à influência religiosa. Mais tarde, a colonização foi acelerada com a descoberta de ouro nas proximidades da atual Rua Frei Fabiano, adensando-se nas encostas do conhecido Morro do Vintém, assim chamado popularmente em função do pagamento, com poucos vinténs, pelo trabalho de escravos e homens livres pobres, no garimpo de ouro.
O NASCIMENTO DO SUBÚRBIO CARIOCA, AS MUDANÇAS URBANAS
Em 1783, foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Engenho Novo. Pode-se dizer que os subúrbios cariocas nasceram no Engenho Novo, pois foi a partir daí que o progresso se acentuou. Dois outros bairros tiveram também grande importância para o crescimento da Região: Engenho de Dentro e São Francisco Xavier. Do século XVIII até o Segundo Império, a Região adensou-se gradativamente, tendo sido ocupada por chácaras e sítios. O comércio foi se desenvolvendo no entorno dos antigos engenhos, capelas foram implantadas e núcleos sub-urbanos surgiram com mais intensidade. Um desses locais de comércio, a Venda do Mateus, deu origem ao atual bairro do Lins de Vasconcelos, entre Engenho Novo e Engenho de Dentro.

Gravura que representa o típico trabalho nos Engenhos

A família Duque-Estrada Meyer teve um papel relevante no desenvolvimento da Região. Inicialmente, através da atuação do comendador Miguel João Meyer, português de origem alemã e um dos homens mais ricos da Cidade, no final do séc. XVIII. Posteriormente, já no Império, através das iniciativas de seu filho, o camarista Augusto Duque Estrada Meyer. Por suas funções e qualidades pessoais, o camarista tornou-se um nobre com grande influência junto ao Imperador Pedro II. Tendo herdado jóias do pai, estas lhe possibilitaram tornar-se grande proprietário de terras na Região. E sua visão progressista transformou a área, que perdeu o aspecto tipicamente suburbano do Segundo Império para assumir uma feição urbana.
OS DUQUE ESTRADAS
A Real Fazenda do Engenho Novo também foi vendida, arrematando também a fábrica de açúcar que existia no local. Uma boa porção de terras passa para as mãos do Capitão de Milícias José Paulo da Mata Duque Estradas, que as recebeu de herança de seu pai, que havia comprado do espólio dos padres. As terras recebidas se estendiam na sua testada, numa extensão de 800 braças, indo da Praia Pequena, atualmente Benfica, até Inhaúma ( enxurrada barrenta ), tendo ao fundo, duas léguas..

Paulo Augusto Duque Estrada Meyer (1848 - 1905) foi um grande flautista e professor do Rio de Janeiro

O início do desenvolvimento da região, foi incrementado pelos DUQUE ESTRADAS com vários roçados, desenvolvimento da criação de muares, galináceos, sendo construído um trapiche e uma olaria. D.Dulce Duque Estrada , solicita ao Vice-Rei, todos os territórios e alagadiços entre os fundos de sua quinta (fazenda em Portugal), a ” Quinta dos Duques “, no Engenho Novo, como também, o Mar de Manguinhos, pois sem eles, ficaria estrangulado, sem livre comércio com a cidade. Os mangues serviam para abastecer de lenha para a sua olaria e o rio Faria irá servir de acesso para as pequenas embarcações que carregavam e descarregavam no seu trapiche que ficava na Estrada Real de Santa Cruz, entre a Vieira Fazenda e Maria da Graça.
OS DUQUE ESTRADAS MEYER
Surgiram do casamento do Guarda Roupa do Paço, Comendador Miguel João Meyer com D.Jeronima Duque Estrada. Português de origem alemã, homem de boa letra , deve ter chegado ao Rio de Janeiro antes de D.João VI, porque ao morrer em 1833, seu primogênito, o Camarista, tinha pouco mais de 30 anos. Só deixou para os seus herdeiros em matéria de imóveis, 04 casebres na Vila Real da Praia Grande, hoje, Niterói, sua fortuna era constituída sobretudo em jóias, roupas, moveis, na sua casa, na Rua Formosa, hoje, General Caldwell. Devemos destacar em seu testamento também:
  • Coleção de jóias, incluindo uma pluma de brilhantes no valor de 6 contos, sendo avaliada em 36 contos e 700 mil réis;.
  • 42 escravos que o serviam na condição de Guarda Roupa Real, no valor de 19 contos e 250 mil réis;
  • Fardas bordadas a ouro, dezenas de camisas e calças coloridas e as roupas de suas famílias, calculadas em 7 contos e 700 mil réis;
Seu enterro, ficou em 500 mil réis, com a catacumba numa igreja e caixão de madeira com asas douradas, exposto em casa todos decorado à caráter numa época em que geralmente, os mortos eram enterrados envoltos nos hábitos das Irmandades a que pertenciam, vários de seus escravos menores, foram enterrados em panos brancos em Inhaúma, deixando jóias no valor de centenas de mil réis.
OS CAMARISTA MEYER
Os anos foram passando, e por volta de 1870 no lugar que se conhece como Rua Camarista Meyer, surge uma fazenda que foi doada pelo Imperador D.Pedro II ao “Gentilhome”, um senhor da maioria ou da boa porção das terras de D.Dulce Duque Estrada que tinha um parentesco distante, Comendador AUGUSTO DUQUE ESTRADA MEYER, o CAMARISTA DO PAÇO, acompanhante de D.Pedro II em freqüentes cerimônias oficiais, que deu o nome de SÃO FRANCISCO DE PAULA, inscrito no livro de registro de terras da Freguesia de São Tiago de Inhaúma, sob o nº 68, fls 37 – vs, com data de 28 de fevereiro de 1856.
Esta propriedade começava na cidade, indo até o Engenho de Dentro, na atual rua Dias da Cruz, a partir daí até um ponto com um marco de pedras, junto a Serra dos Pretos Forros, seguindo em linha reta para terminar no Caminho de Jacarepaguá. Cento e três contos era o preço de suas terras ainda não vendidas, o que valeria na ocasião, a mobília de jacarandá de 18 peças da sua casa no alto da mesma rua – Camarista Meyer, 100 mil réis e uma mesa redonda de magno no valor de 3 mil réis, um espelho grande com aparador no valor de 10 mil réis, um tilbury usado no valor de 20 mil réis, um cavalo russo em bom estado no valor de 5 mil réis, um alfinete para peito com brilhantes no valor de 200 mil réis.
Entre os seus herdeiros, foram abertas ruas em seus domínios e até a presente data, muitas dessas ruas, ainda existem no bairro, entre eles: Maria Paula - filha; Carolina Meyer - filha; Francisca Meyer - filha (atualmente, Catulo Cearense); Joaquim Meyer - filho; Gustavo Miguel Duque Estrada Meyer - filho; Frederico Meyer - filho; Joaquina Rosa - esposa; Eulina Ribeiro - neta; Venâncio Ribeiro - esposo da neta; Adelaide - irmã;
A MORTE DO CAMARISTA MEYER E A LINHA FÉRREA, A ORIGEM DO NOME AO BAIRRO
Com seus extensos campos, a Região tornara-se importante para o crescimento da Cidade, no início por atender ao transporte coletivo – carruagens e bondes à tração animal – e mais tarde, por abastecer as tropas na Guerra do Paraguai. A partir da segunda metade do século XIX, quando começaram a circular os trens da Estrada de Ferro Pedro II, em 1858, os subúrbios foram definitivamente ocupados, ao longo da linha férrea e no entorno das estações.
Em 1882, morreu o CAMARISTA MEYER, no momento em que os trens atravessavam suas terras, mas ainda não paravam nelas regularmente. Existia uma parada mais adiante na Chácara dos Bastos.
Na passagem do Caxamby, foi designado um guarda chamado José Francisco que não tinha a perna direita, usando uma de pau, onde a população passou a chamá-la de CANCELA DO PERNA DE PAU, que ligava os dois lados da via férrea passando pelos terrenos dos Doutores Miguel e Joaquim Meyer, atualmente, são as ruas Medina e Coração de Maria, onde neste trecho, foi aberto uma passagem, em que o comboio, raramente fazia uma pausa, construindo mais tarde a Estação de Todos os Santos.
Com a inauguração da ESTRADA DE FERRO D.PEDRO II, em 28 de março de 1858, onde com uma só viagem de ida e volta entre o Campo de Santana e Moxambamba, atualmente Nova Iguaçu, os seus chamados Serviços Suburbanos teriam inicio 2 anos mais tarde, em 1860.A parada do Engenho Novo em 1858, ocorreu quando foi inaugurada o 1º trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil, que era única. Os trens na época faziam a linha de ponto inicial até Cascadura.
Com o passar do tempo, o núcleo populacional foi crescendo junto à linha férrea e a partir daí, outras estações intermediárias foram surgindo, neste trecho, chegou a ter 17 estações. As terras foram loteadas e as ruas pantanosas foram sendo saneadas. Os bairros surgiam agora com uma feição mais urbana: Lins, Engenho Novo, Engenho de Dentro e Piedade, entre outros. Os nomes muitas vezes eram homenagens a importantes proprietários de chácaras na Região. A Linha Auxiliar (E. F. Rio Douro) incrementou a ocupação em outro sentido e de forma mais irregular, permitindo o aparecimento dos atuais bairros do Cachambi, Maria da Graça e Del Castilho, os dois últimos integrados atualmente à vizinha Região Leopoldina.
Os responsáveis pela ferrovia se interessaram pela criação de outra estação, assim sendo, as terras para construção desta outra estação foram doadas pelos filhos do CAMARISTA MEYER. Esta transmissão foi firmada no TABELIÃO FRANCISCO BUSTAMANTE DE SÁ, constando uma clausula exigido pela família MEYER, que o nome da estação teria que ser MEYER.
Em 1884, Dom Pedro II presenteou um amigo com parte das terras dando para a familia, a Freguesia do Engenho Novo, indo da Quinta Imperial até Inhaúma, da Praia Pequena até a Praça D.Jeronima, no Engenho de Dentro ( desconhecida ), a partir daí até o final da Estrada Inácio Dias. Esse amigo tinha o nome de Augusto Duque Estrada Meyer (filho do comendador Miguel João Meyer, português de origem alemã e um dos homens mais ricos da cidade, no final do século XVIII), conhecido como Camarista Meyer por ter livre acesso às Câmaras do Palácio Imperial.
Por sua causa, a região ficou conhecida como “Meyer” (pronuncia-se “Maier”), e depois de um tempo os moradores aportuguesaram para Méier. Os primeiros habitantes da região eram escravos fugidos que formaram quilombos na Serra dos Pretos-Forros.
Em 13 de maio de 1889, uma segunda-feira chuvosa, após um domingo de muito sol e calor, foi inaugurada a PARADA DO MEYER. Na época, o engenheiro responsável e diretor da Estrada de Ferro, era José Embanch da Câmara. A primeira composição que parou na Nova estação, foi puxada pela maquina “PRINCEZA IMPERIAL”, nome que lhe foi dado em homenagem a princesa Isabel que recebia de todo o Brasil, o agradecimento pela Abolição do Cativeiro.
A VALORIZAÇÃO DAS TERRAS, LIDERENÇA E OS PROJETOS GRANDIOSOS
A valorização das terras foi inevitável. Um tal de Senhor Coutinho, dono de uma padaria no Engenho Novo e por herança, dono de algumas terras do Meyer, resolveu loteá-las e dias antes da inauguração da nova parada, publicou no Jornal ”GAZETA DE NOTÍCIAS”, no dia 18 de abril de 1889, o seguinte anúncio:
” Vende-se terrenos para se edificar na Estação do Meyer. Trata-se na Praça do Engenho Novo nº 16 – padaria”.
O primeiro comprador, foi o Senhor MANUEL PAIVA, trabalhador do antigo Arsenal de Guerra, que comprou um lote, que mais tarde teve o número 84, da rua Hermengarda, atual Avenida Radial Oeste. A partir daí, o Méier não parou mais de crescer e a cada dia que passa, cada vez mais valoriza tudo que se investe no bairro. Devido ao aumento da população e dos loteamentos recém abertos, o bairro crescia de forma precária – chegou a sofrer duas epidemias de cólera. À medida que era saneado, mais moradores chegavam, de tal maneira que as autoridades o elevaram a 18° Distrito da Cidade do Rio de Janeiro. Daí para frente progrediu rapidamente e vários estabelecimentos surgiram. É por isso, que o Méier, é chamado de CAPITAL DO SUBURBIO. Em 1903, com o desmembramento do Engenho Novo, acelera-se o desenvolvimento da Região. Liderando o processo estava o bairro do Méier. Ali se implantaram importantes e precursoras casas de negócios e magazines: a Casa Marques e a Casa Lopes, a Foto Quesada e as famosas e chiques confeitarias Moderna e Japão, que atraíam pessoas de toda a Cidade.

Foto de Augusto da Malta registrando obras de alargamento da atual Avenida Amaro Cavalcante, em 1918.

Três grandes projetos ajudaram a valorizar a Região: a construção da Basílica de N. Sa. das Dores, única em estilo mourisco da Cidade, projetada pelo arquiteto português Luís de Morales de los Rios, no início do século XX. Inspirada no Templo de Santa Maria La Blanca de Toledo, na Espanha, que criou também o castelo do Instituto Oswaldo Cruz.; o prédio do Quartel do Corpo de Bombeiros, em 1914, e o Jardim do Méier, construído pelo prefeito Paulo de Frontin em 1919, com projeto de seu antecessor, Azevedo Sodré, incluindo o Coreto do Méier – marco arquitetônico e símbolo maior do bairro, foi instalado no Jardim do Méier em 1914. Construído em madeira nas cores azul e branca e em forma hexagonal, mede sete metros de altura e seis de largura. Já foi palco de eventos diversos.

Projeto da Basílica do Sagrado Coração de Maria


Jardim do Méier, 1916. Notória a linha férrea passando ao nível da rua.

A EXPLOSÃO DEMOGRÁFICA NOS ANOS 50
Entre 1937/45 a vida noturna tornou-se intensa e, na década de 1950, o bairro do Méier passou por grandes transformações, principalmente no eixo da rua Dias da Cruz. Em 1954 o bairro ganhou o Imperator, na ocasião a maior sala de cinema da América Latina com 2.400 lugares. Durante muito tempo a galeria do Cine Imperator foi um dos pontos de grande movimentação cultural da Cidade.

Dias da Cruz anos 60: segundo pesquisadores as demolições deram lugar à Mesbla, hoje Marisa.

Em seguida foi a vez do Shopping do Méier se instalar no bairro, o primeiro do gênero a ser inaugurado no Brasil. O primeiro shopping do Brasil, no endereço onde antes ficava o Colégio Metropolitano, projetado pelo arquiteto João Henrique Rocha e aberto ao público em 1963. Ele disputa o título com o paulistano Shopping Iguatemi (1966) o qual foi o primeiro Shopping Center brasileiro – localizado no nº 255 da Ria Dias da Cruz desde com uma área construída de 12.120m² no ponto mais nobre do bairro, abriga mais de 30 lojas, além de uma faculdade, e dispõe de 200 vagas de estacionamento e praça de alimentação.

Fachada com algumas características originais no início da década 90

A PASSAGEM DO RIO CIDADE
Sua urbanização começou no século XVIII, com a formação de quilombos erguidos por escravos fugidos. Uma das mais conhecidas intervenções urbanísticas, o Rio Cidade, já passou também pelo centenário bairro do Méier. Como o bairro é literalmente dividido ao meio pela linha férrea da antiga Central do Brasil, as obras do Rio Cidade, cujo projeto foi desenvolvido pelo Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos e executado pela Riourbe, foram realizadas em duas fases: de 1993 a 1996 e de 2003 a 2004.
A primeira fase contou com uma série de modificações, principalmente no lado da Rua Dias da Cruz, que, ao término das obras, estava totalmente repaginada. Também foi nesse período que o Méier ganhou a Praça Agripino Griecco e os dois terminais rodoviários que atendem à população local. A segunda etapa do Rio Cidade Méier concentrou-se nas proximidades do Hospital Municipal Salgado Filho e dos quartéis do Corpo de Bombeiros e do 3º Batalhão de Polícia Militar. As obras, realizadas numa área de 82.500m², abrangeram as ruas Aristides Caire (até a estação), Lucídio Lago (da Praça Canadá até a Rua Frederico Méier), Frederico Méier, Arquias Cordeiro (lado da linha férrea e trecho da Aristides Caire até o Hospital Salgado Filho) e Carolina Méier.
Dentre as melhorias do Rio Cidade destacam-se revisão do traçado das ruas, fresagem erecapeamento asfáltico, tratamento paisagístico, infra-estrutura, iluminação pública, arborização e instalação de novo mobiliário urbano. Uma das principais vias do bairro, a Rua Dias da Cruz, foi dividida ao meio por um canteiro central com diversas espécies de árvores. Também recebeu nova sinalização para pedestres e veículos e abrigos nas paradas de ônibus e táxis, além da ampliação das redes de esgoto e águas pluviais.
A Dias da Cruz teve suas calçadas alargadas e repavimentadas para dar mais conforto aos pedestres, mas conservou o espaço especial dominado por um dos símbolos do bairro, a imponente estátua de um leão, que chama a atenção de quem passa pelo local. É nesse lado que atualmente está concentrada a maior parte do comércio do bairro.
O trecho da principal transversal, a Rua 24 de Maio, também recebeu melhorias. A fachada e o calçadão próximo à estação do Méier foram totalmente remodelados, ganhando uma passarela mais ampla sobre a ferrovia que liga o lado da Rua Dias da Cruz ao da Rua Arquias Cordeiro. No local foi instalada uma escada rolante com cobertura. É no lado da Arquias Cordeiro que está o antigo Jardim do Méier, principal praça do bairro, fundada em 1916.
No lado do Jardim, a Rua Frederico Méier foi transformada em rua de serviço, com área de estacionamento e baias de carga e descarga. Os pontos finais de ônibus localizados naquele trecho foram transferidos para o terminal rodoviário, próximo às ruas Carolina Méier e Padre André Moreira. O Hospital Salgado Filho também foi beneficiado com a construção de novo acesso de ambulâncias pela Rua Arquias Cordeiro e ampliação da calçada, que passou a ter 10 metros de largura e rampas para pessoas com deficiência.
Saúde
O Méier conta com o Hospital Municipal Salgado Filho, um dos hospitais de emergência da rede de saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro. O hospital iniciou suas atividades em 12 de outubro de 1920 sob a denominação Serviço Auxiliar do Pronto Socorro do Méier. Em 28 de novembro de 1951, troca de nome para Dispensário do Méier. Somente em 27 de março de 1963 é finalmente inaugurado com a denominação de Hospital Estadual Salgado Filho. Em 17 de março de 1977, o novo Hospital Municipal Salgado Filho, com um bloco principal (subsolo e 7 andares), possuindo dois anexos (um com 3 e outro com 2 andares) é inaugurado pelo Prefeito Marcos Tamoio e seu Secretário de Saúde, Dr. Felippe Cardoso Filho. Na rua Ana Barbosa está situado o Posto de Atendimento Municipal César Pernetta.

Posto de saúde que deu origem ao Hospital Salgado Filho

Próximo ao Méier, no bairro Todos os Santos, está situado o Hospital Pasteur, inaugurado em 2005. Com atendimento 24 horas, possui emergência, clínica médica, ginecologia/obstetrícia, cirurgia geral, ortopedia e radiologia.
AS PERSONALIDADES HISTÓRICAS E CULTURAIS
A Região sempre foi berço de personalidades de destaque na cultura e história da Cidade e do País. Entre elas destacam-se os escritores Lima Barreto e Arthur Azevedo, o jornalista Dias da Cruz, os médicos Lins de Vasconcelos e Arquias Cordeiro, o ator e jornalista Eduardo Magalhães, o ministro General Dionísio Cerqueira (conhecido como Dignificador dos Subúrbios Cariocas) e a sambista Araci de Almeida. Foi ainda pioneira em tecnologia industrial em aço e papel fino, desenvolvida pelo industrial José T. de Carvalho, e teve também seu jornal local, o Subúrbio, impresso no começo do século XIX no bairro Sampaio. Algumas outras da atualidade são Lima Barreto, Márcio Garcia (ator), Tony Ramos (ator),  Artur Azevedo, Chico Tenreiro (ator), Aline Pyrrho (bailarina e atriz), Waldir Azevedo (músico cavaquinista), Adriana Esteves (atriz), Fátima Bernardes (jornalista), Taís Araújo (atriz), Millôr Fernandes (humorista, jornalista, desenhador), Samara Felippo (atriz)
Educação, lazer e Cultura.
O bairro possui hoje campus de universidades, diversas escolas particulares (algumas quase centenárias), escolas estaduais e municipais. Destacam-se o Colégio Imaculado Coração de Maria fundado em 1914 na antiga rua Imperial, atual Aristides Caire e o Colégio Metropolitano fundado em 1932 na rua Dias da Cruz (onde hoje fica o Shopping do Méier) e tem três unidades no bairro. São diversos cursos de idiomas (alguns de grande tradição como Brasas, CCAA, Cultura Inglesa e Ibeu), pré-vestibulares, informática e outros cursos (como o Kumon). Há ainda uma academia de dança tradicional (Centro Dança Rio) e o Sport Club Mackenzie.

O Colégio Metropolitano em sua sede original na Dias da Cruz, em 1940.



Rua Aquidabã em1934. Não dá para saber em que parte.





Rua Dias da Cruz em 1930. Inacreditável essa foto.

A rua Dias da Cruz se transforma em área de lazer aos domingos e feriados das 8 horas às 18 horas das ruas Hermengarda / Ana Barbosa até as ruas Magalhães Couto / Lopes da Cruz. Como os ônibus são desviados da rua Dias da Cruz, o trecho entre a travessa Comendador Filips e rua Lopes da Cruz fica com o tráfego de carros reduzido.



Colégio Visconde de Cayru em 1986.




O bairro já possuiu quatro cinemas. O mais famoso deles foi o Imperator. Os outros são: Art Méier e Bruni Méier (ambos na rua Silva Rabelo) e o Paratodos (na rua Arquias Cordeiro). Em 1991, o Imperator foi transformado em casa de espetáculos, mas encerrou suas atividades em 1995. Todos os demais cinemas também foram fechados ou transformados em igrejas protestantes. O bairro conta com o Centro Dança Rio, fundado em 1973, que teve entre suas alunas a atriz Adriana Esteves e a apresentadora Fátima Bernardes.

Fachada do Cine Imperator no Méier 19.11.1985 - Foto de Luiz Betthencourt

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