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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mitsuyo Maeda

TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA DE:http://jiujitsubronline.blogspot.com/2011/02/mitsuyo-maeda-o-conde-koma.html



Mitsuyo Maeda, o Conde Koma

Em 1894, o jovem Mitsuyo Maeda, aos dezesseis anos, chega a Tóquio, para ingressar naUniversidade de Waseda (Waseda daigaku, 早稲田大学), uma instituição de ensino superior particular do Japão.
No ano seguinte, Maeda ingressa na Kodokan. Ao chegar na Kodokan, Maeda, com 1 m e 64 centímetros de altura e 64 kg, chamou a atenção de Jigoro Kano, que o enviou à Tsunejiro Tomita (4 º dan), o primeiro aluno de Jigoro Kano e que era o menor dos professores da Kodokan. Isso foi para mostrar para o garoto que, na Kodokan, o tamanho não era importante. (VIRGÍLIO, 2002, p. 23.).
Mitsuyo Maeda [前田光世], apelidado de “Conde Koma” [コンデ・コマ], nasceu em 18 de Novembro de 1878 na vila de Funazawa, cidade de Hirosaki, Japão, e faleceu em 28 de Novembro de 1941 em Belém do Pará, Brasil.
Maeda tornar-se-ia o maior jujutsuka de todos os tempos, tanto pelas suas mais de mil vitórias, quanto pelo mérito da divulgação do jujutsu e do judô pelo mundo. A forma por ele empregada para divulgar sua arte não seria a de ensiná-la, mas sim provar seu valor através de combates com lutadores de outras modalidades. Seria chamado de o “homem mais forte que viveu” e “o invencível yondan”.
Em 1906, Jigoro Kano deu uma missão aos lutadores da Kodokan Tsunejiro Tomita, MitsuyoMaeda e Soishiro Satake, para partirem rumo a América, atravessando o Pacífico a fim de divulgar o Kano Jujutsu. Antes de partir, recebeu o quarto grau (Yondan, 四段) das mãos de seu mestre.
No mesmo ano, se apresentaram em Washington DC. para o presidente Theodore Roosevelt em uma luta na qual Tomita combateu contra o negro Bill Owens. Com a derrota de Tomita, Maeda e Satake começam a viajar pelos Estados Unidos realizando combates a fim de resgatar o prestígio da arte japonesa.
O mestre Kano, desde a fundação do Kodokan e lançamento do Judô, proibira o confronto com outros estilos de luta, alegando que isto desvirtuaria sua arte. Maeda tornar-se-ia o primeiro Creonte (traidor).
Nos combates pelos EUA, destacou-se Mutsuyo Maeda. A luta que resgataria o prestígio dos japoneses fora a mais famosa nos EUA, contra o lutador americano Butch Boy, em Nova York.
Butch Boy foi derrotado por Maeda com um Juji Gatame (Arm-lock), obrigando o americano a bater (desistir).
Deixaram então os EUA, e antes de viajar para a Europa, Maeda e Satake foram para Cuba, juntamente com os professores Akitaro Ono e Tokugoro Ito. Todos desta trupe se envolveram em desafios e combates. Em Cuba, Maeda derrotou Adobamond, o lutador “número um” do país.


Ono, Maeda, Ito (de pé) e Satake (sentado)
A trupe: Ono, Satake, Ito e Maeda.


Na Europa, passaram Maeda, Satake, Ono pela Rússia, Alemanha, Itália e Inglaterra, realizando lutas e demonstrações.
Em 1907, em Londres, o trio se encontrou com Yukio Tani e Gonji Koizume, mestres em Fusen-Ryu, técnicas de solo (Ne-Waza). Maeda passaria duas semanas treinando na Budokuwai.
Em 1908, Maeda parte para a Espanha, onde passou a utilizar o nome Conde Koma para poder desafiar outro lutador japonês de judô que estava por lá sem ser reconhecido: em japonês, o verbo “komaru” significa “estar em situação delicada” - ele tirou a última sílaba da palavra e ficou apenas com Koma, acrescentando a palavra “Conde” (em espanhol mesmo) por sugestão de um amigo espanhol.
Em dezembro de 1908, Maeda viajou para Havana, Cuba. Em julho de 1909, Maeda deixou Havana, partindo para a Cidade do México. Sua estréia na Cidade do México ocorreu no Teatro Virgínia Fabregas, em 14 de julho de 1909, realizando uma demonstração para alguns cadetes militares.
Aceitou no México uma luta contra um lutador chamado de Totorar, de origem turca, o qual venceu. Também lutou e venceu outro lutador de nome Storvan, no Teatro Prince Pearl.
Em julho de 1910, Maeda retornou a Cuba. Em 23 de agosto de 1910, Maeda lutou contra Jack Connell em Havana. O resultado foi um empate. Em 1911, Maeda e Satake, em Cuba, reuniram-se com Akitaro Ono e Tokugoro Ito, tidos como “Os Quatro Reis de Cuba”.
Em janeiro de 1912, a Kodokan promoveu Maeda ao 5º Dan da Faixa Preta.
Em 1913, Tokugoro Ito permaneceu em Cuba, enquanto Maeda e Satake foram para El Salvador, Costa Rica, Honduras, Panamá, Colômbia, Equador e Peru. No Peru se reuniram a Laku, um japonês que ensinava Jiu-Jitsu aos militares.
Eles foram, então, ao Chile conhecer o Sensei Okura, e posteriormente a Argentina, onde encontraram o mestre Shimitsu.
Maeda, Satake, Laku, Okura e Shimitsu partiriam, então, da Argentina para o Brasil, onde chegariam em 14 de novembro de 1914. (VIRGÍLIO, 2002, p. 67.).
Maeda, Satake, Luke, Okura e Shimitsu chegaram ao Brasil pela cidade de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, em 14 de novembro de 1914.
Maeda e seus companheiros se apresentaram ao longo de todo o país: em 26 de agosto de 1915 estiveram em Recife. Em 18 de dezembro de 1915 em Manaus, sendo noticiados no jornalO Tempo.
O Tempo, 19/12/1915.

Em 3 de janeiro de 1916, no Theatro Politheama, Maeda lutou contra Nagib Assef, que foi jogado por Conde Koma para fora do palco.
Em 8 de janeiro de 1916, Maeda, Okura e Shimitsu embarcaram no SS Antony, que partiu para Liverpool. Ito foi para Los Angeles. Satake e Laku, para Manaus. Após 15 anos juntos, Maeda e Satake tinham finalmente se separados.
Em 1917, de volta ao Brasil, Maeda fixou-se em Belém do Pará com sua esposa, a inglesa May Iris. Logo depois adotou Celeste.
Maeda e família, em Belém do Pará, 1921.


Maeda, não por acaso, veio à Amazônia, a fim de divulgar a sua arte. Entre o final do século XIX e início do XX, a Amazônia, sobretudo o Estado do Pará, viveu o período da “Belle Époque”, “Bela Época”, devido às riquezas e oportunidades geradas pela economia da borracha. Belém do Pará era uma das capitais mais ricas do país, encontrava-se em intenso processo de modernização, com ruas calçadas, bondes elétricos, sistema de iluminação pública, suntuosas praças e o famoso Teatro da Paz. Havia toda uma demanda por parte da sociedade local por diversões e era o que ocorria, sobretudo, em Belém. Devemos lembrar também que na década de 1920 iniciou a imigração japonesa para a Amazônia, mais um motivo para fazer Maeda se sentir bem na capital paraense até sua morte.
Em 1921, Maeda fundou sua primeira academia no Pará. Localizava-se no Clube do Remo, no bairro da Cidade Velha. Mais tarde, a escola foi para o Corpo de Bombeiros, e depois para a sede da Igreja de Nossa Senhora de Aparecida. (VIRGÍLIO, 2002, p. 79-80.).
Maeda (em pé à direita) e seus alunos.


Em 1991, a Academia passou para o SESI, dirigida pelo Sensei Alfredo Mendes Coimbra, da terceira geração de descendentes do Conde Koma.
A partir de 1925 Maeda se envolveu na ajuda a imigrantes japoneses para o município de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, região marcada pela presença da imigração japonesa.
Em 1929, o Kodokan lhe promoveu a sexto Dan (Roku Dan, 六段). Em 11 de março de 1930, naturalizou-se brasileiro com o nome de Otávio Mitsuyo Maeda.
E em 27 de novembro de 1941, ao sétimo Dan (Nana Dan, 七段).
Em 28 de novembro de 1941, aos 63 anos, falecia em Belém do Pará, Mitsuyo Maeda, o Conde Koma.
Folha Vespertina, Belém-Pará, sexta-feira, 28/11/1941.

Túmulo de Otávio Mitsuyo Maeda e esposa, cemitério de Santa Izabel, Belém, Pará. Nov. 2010.

Memorial dedicado a Conde Koma, em Hirosaki.

Em maio de 1956, um memorial para Conde Koma foi erguido em Hirosaki, Japão. A dedicada cerimônia contou com a presença de Risei Kano, um dos filhos de Jigoro Kano.

O “homem mais forte que viveu”, “o invencível yondan”, o “herói da Amazônia” desperta ainda hoje o interesse por todos aqueles admiradores de artes marciais. Conde Koma foi assunto em algumas publicações, como nos livros “Dream of a Lion” (“Sonho de um Leão”), de Norio Kohyama, “Worldwide Judo Warrior” (“Guerreiro do judô pelo mundo”), de Takao Marushima, “The Toughest Man Who Ever Lived ”, de John Murray, e “Conde Komao invencível yondan da história”, de Stanley Virgílio.
Worldwide Judo Warrior”. e “The Toughest Man Who Ever Lived ”


Além de livros, Conde Koma também se tornou personagem de histórias em quadrinhos ou mangá [漫画] japoneses.











HQ “The Manwho Started theGracies”, Book 1.2007.


HQ “Conde Koma”, vol. 1. 1997.

Imaginemos se por algum capricho do destino, o mestre japonês Mytsuio Maeda, o famoso Conde Koma, em sua peregrinação marcial pelo mundo não tivesse vindo ao Brasil e se fixado em Belém do Pará. Certamente, o encontro entre Maeda e a família Gracie não teria acontecido, assim como com outros como o mestre Luís França que aprenderam com Conde Koma a arte suave.
De todas as sementes do Jiu-Jitsu que foram plantadas pelos lutadores japoneses no decorrer de toda a sua peregrinação pelo mundo, a que germinou e deu mais frutos foi a que veio a Amazônia, a Belém do Pará, e foi cultivada por aqueles que, como a família Gracie, aprenderam a Arte Suave com o Mitsuyo Maeda, o Conde Koma.

Referências
FOLHA DO NORTE, Belém-Pará, sábado, 29 de nov. de 1941. Nº 15.018.
FOLHA VESPERTINA, Belém-Pará, sexta-feira, 28 de nov. de 1941. N.º 15.047.
REVISTA TATAME. A história do jiu-jitsu. Novembro de 2007. nº 141.



REVISTA TATAME. Um século de luta. Julho de 2008. nº 149.


VIRGÍLIO, Stanlei. Conde Koma: o invencível yondan da história. Campinas, SP: Editora Átomo, 2002.

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