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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

LAPULAPU


LAPULAPU?

Lapulapu é uma das figuras mais conhecidas da história das Filipinas e talvez a mais incompreendida. Não é difícil encontrar monumentos em cidades e bustos em selos de escolas de FMA no mundo a fora. Poucos sabem qual sua real importância. 

Lapulapu é o nome do chefe guerreiro que comandou a ilha de Mactan durante a chegada dos europeus às ilhas no século XVI. A tática utilizada foi a de aproximação com a corte de Cebu e a progressiva expansão junto a líderes próximos. Um desses líderes aceitou se submeter ante os espanhóis, sob a condição de obter auxilio ao ataque à ilha de Mactan. O resultado da batalha foi a vitória de LapuLapu e a morte de Fernando Magalhães, comandante da esquadra. 
Durante anos a figura de Lapu-Lapu permaneceu apagada da memória dos filipinos até finais do século XIX quando movimentos de fomentação da cultura filipina e de luta pela independência tornaram a resgatar esse líder e a transformá-lo em um ícone da luta contra a invasão estrangeira. O escritor José Rizal e o grupo Katipunan tiveram grande importância nesse processo.
Os primeiros clubes de FMA herdaram essa associação, a ponto de anos mais tarde, praticantes e instrutores pouco informados, buscarem definir o FMA como sendo o resultado aa transmissão oral das técnicas de combate utilizadas pelos guerreiros de Mactan no passado. Nada mais incorreto. 
O diário de bordo da frota de Magalhães comenta sobre as habilidades bélicas de Lapulapu e seus homens, porém não há qualquer referência nele ou em outrodocumento sobre como esses guerreiros lutavam ou quais as técnicas utilizadas – até mesmo por que a noção de institucionalizar os métodos de combate era alienígena para época, onde o combate não era nada mais que um instrumento. 

Elevar LapuLapu à símbolo do guerreiro ideal da liberdade e do potencial guerreiro do povo filipino, foi uma maneira de elevar o espírito do povo e unir todos em torno de uma figura comum. Tal ação não foi inédita e nem foi exclusiva dos filipinos. Os românticos europeus fizeram o mesmo com os cavaleiros medievais, assim como no Japão pós guerra, os samurais se tornaram símbolos de um ideal e assumiram o arquétipo de guerreiro-filósofo ideal. 


Os heróis e mitos existem e sempre existirão. Cabe a cada praticante buscar conhecimento para melhor entender a história de sua arte, de modo a não ser levado por histórias sem fundamentos e boatos.
Tales de Azevedo
(instrutor de Arnis autor de Filipinas: História e Artes Marciais)


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