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terça-feira, 10 de abril de 2012

NOSSOS HEROIS DO PASSADO DO JUDÔ: LUIZ ALBERTO GAMA DE MENDONÇA



TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA DE: http://saunaekultura.blogspot.com.br/2011/12/artigo-do-augusto-acioli.html

ARTIGO DO AUGUSTO ACIOLI

O
JUDÔ BRASILEIRO
POSSUI MESTRES & HERÓIS”







HOMENAGEM A LUIZ ALBERTO GAMA DE MENDONÇA
Esta história começa na Cidade do Rio de Janeiro, no dia 17 de março de 1938. Nascia naquela data Luiz Alberto Gama deMendonça, um brasileiro que viria a se tornar, em 1960, aos 22 (vinte e dois) anos de idade, nosso Iº Tricampeão Panamericano de Judô, feito sem precedentes para aquela época, principalmente, se levarmos em conta que o esporte amador de então não possuía apoios ou patrocínios de qualquer espécie, inexistiam estágios técnicos nacionais ou internacionais, pouquíssimas eram as competições, os atletas adquiriam – comrecursos próprios – seu material de treinamento, não havia acompanhamento por parte de clínicos, fisioterapeutas, nutricionistas, etc. Na maioria das vezes os competidores mais graduados acumulavam a função de treinadores de seus colegas de delegação.
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Era com muita alegria que os cariocas viajavam no mês de julho de cada ano para disputar, na Cidade de São Paulo, os torneios “Ju-Kendô Remmei” ou “Budokan”, que reuniam, no Ginásio do Pacaembu, os mais qualificados lutadores de Judô de todo o país.
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Para que um praticante pudesse especializar-se no Japão, por exemplo, seus parentes, colegas de academia e amigos cotizavam-se para custear passagem aérea, hospedagem e alimentação durante o período em que lá permanecesse.
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Esses verdadeiros guerreiros sobreviviam de forma espartana, voltados, tão somente, para a prática de rigorosos treinamentos e os que aqui ficavam aguardavam seus retornos, com ansiedade, para ouvi-los repassarem as técnicas aprendidas e praticadas.
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Eram tão poucos a realizar tais sonhos que aqui no Brasil – o fato parece incrível se levarmos em conta a dimensão continental deste país – conhecíamos, pelo nome e cidade de origem, os que se encontravam estagiando.
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Os filmes, em preto e branco, produzidos em campeonatos internacionais ou apresentando treinamentos em academias, no exterior, eram assistidos repetidas vezes como se inéditos fossem.
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Todos recorriam às bibliotecas públicas para a obtenção de aprendizado adicional, pois, até mesmo livros de judô eram de difícil obtenção, raros, editados em outros idiomas e de elevado custo.
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Estas considerações iniciais foram feitas para que os leitores melhor pudessem avaliar o formidável desafio que aquele jovem chamado Luiz Alberto Gama de Mendonça iria enfrentar ainda em sua juventude.
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Até os 16 (dezesseis) anos não havia conseguido identificar qualquer atividade esportiva que o atraísse.
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A mão do destino, entretanto, estava lhe preparando uma surpresa quando o guiou até à Academia de Judô do professor Augusto Cordeiro (Rua Barata Ribeiro nº 530, no bairro de Copacabana, Rio de Janeiro) e o motivou a assistir um treino.
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“Constatei naquele importante momento de minha vida, que estava sendo apresentado, ao vivo e a cores, ao esporte com que sempre havia sonhado. Iniciei o seu aprendizado pelos rolamentos; a seguir, os golpes mais simples e pouco a pouco vi crescer dentro de mim uma chama a cada dia mais forte e eterna, bastando ouvir tão somente 02 (duas) sílabas mágicas: JU-DÔ”, lembrou saudoso.
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Teve uma carreira meteórica com títulos internacionais sendo conquistados já a partir de seus 18 (dezoito) anos de idade.Inúmeras vezes campeão em disputas estaduais, interestaduais e nacionais, soube, também, honrar nossa bandeira no exterior, pela forma com que se portava, técnica invejável que possuía, combatividade extrema e a firme determinação de entrar na área de luta para vencer não importando quem fosse o adversário da vez. Este era o seu estilo de pensar e agir.
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A primeira meta conhecida a que se impôs foi em Cuba 1956. O resultado não poderia ser outro: retornou ao Brasil trazendo na bagagem o troféu de Campeão Panamericano de Faixa-Marrom.

CAMPEONATOS CARIOCA
Este velho escriba foi um dos privilegiadoque assistiram Luiz Alberto Gama de Mendonça travar emocionantes disputas nos tatames montados na então denominada “Sede Velha do Clube deRegatas do Flamengo", situada à Praia do Flamengo nº 66, no Bairro de mesmo nome, localizada próxima aos fundos do terreno onde encontram-se os jardins do Museu da República (antigo Palácio do Catete). Só havia uma área de luta e o público se posionava, praticamente, em cima dos combatentes, tal qual uma arena romana. Ouvia-se o respirar dos atletas e, mentalmente, os que ali estavam sentiam-se usando quimono e portavam-se, respeitosamente, como se estivessem sobre o “shiai-jô”.
Hane-goshis, U-chi-matas, O-soto-garis, De-ashi-barais eram desferidos por aquele atleta de forma fulminante, indefensável e com uma surpreendente velocidade para alguém de elevado peso.
Apesar de ser carinhosamente chamado pelos amigos e colegas de treino de “Gordo”, lentidão e preguiça eram as únicas características que aquele pesado não possuía, muito pelo contrário.

As fotos de suas lutas mostram projeçõeexecutadas no tempo exato e com desequilíbrio preciso e técnica apurada.
Luiz Alberto Gama de Mendonça em pleno “Ippon” no Campeonato Carioca
Nesse cenário pude assistir memoráveis combates travados entre os integrantes da Academia de Judô Augusto Cordeiro, Academia Hermanny, Academia Japonesa, Academia Suburbana, Academia Haroldo Brito, Academia Mehdi, Academia do C.R.Flamengo, Academia Ren-Sei-Kan dentre as mais conhecidas.
Uma das formações da Academia de Judô Augusto Cordeiro que vi combater: Andras Vasarhelyi, Luiz Raimundo (o conhecido 21), Luiz Alberto Gama de Mendonça, Carlos Bartolomeu Cavalcante e IsidoroRaposo.
Luiz Alberto Gama de Mendonça é o primeiro ddireita para a esquerda.
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Inúmeros outros praticantes abrilhantaram aquelas competições, dentre eles: Rudolf de Otero Hermanny, Shunji Hinata, George Mehdi, Harry Rutman, HélciGama, Newton Kleber de Thuin, Enzo Confetura, atletas formados pelos Professores Theóphanes Mesquita, Haroldo Brito e Leopoldo de Luca, Raimundo Faustino, Takeshi Ueda, Antonio Vieira, Yoshimasa Nagashima, M. Oguino, dentre outros.
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Naqueles tempos, comparecer a torneios era uma importante alternativa que os praticantes dispunham para aprenderem novastécnicas de golpes, contragolpes, regras e normas de arbitragem, bem como conhecerem, pessoalmente, os nossos mais destacados representantes.
PRINCIPAIS TÍTULOS CONQUISTADOS POR
LUIZ ALBERTO GAMA DE MENDONÇA
1956 - IIº PANAMERICANO DE JUDÔ - HAVANA – CUBA
Delegação Brasileira - Massayoshi Kawakami, Augusto Cordeiro, Shunji Hinata, Paulo Falcão (dirigente), Hickari Kurachi, Luiz Alberto Gama de Mendonça e Milton Rossi
Luiz Alberto Gama de Mendonça, CampeãoFaixa - Marrom abraça Hickari Kurachi, Campeão Faixa - Preta 4º Dan e também um verdadeiro herói, pois, seriamente, lesionado durante a luta final pelo título, não quis interrompê-la, e combatendo com apenas a habilidade de um dos braços, obteve a vitória. Tão logo desembarcou no Brasil foi encaminhado a um hospital sendo, imediatamente, operado nos ligamentos à altura de um de seus cotovelos.
1958 - IIIº PANAMERICANO DE JUDÔ - RIO DE JANEIRO – BH – BRASIL
Em pé: Shunji Hinata, Luiz Alberto Gama de Mendonça, Akira Yamamoto.
Ajoelhados: Massayoshi Kawakami e Manabu Kurachi
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30/11/1958 - IIº CAMPEONATO MUNDIAL DE JUDÔ – TÓQUIO – JAPÃO
A seleção brasileira de Judô composta por Masayoshi Kawakami, Akira Yamamoto e Luiz Alberto Gama de Mendonça em companhia de um membro da Família Imperial Japonesa.
Massayoshi Kawakami, Luiz Alberto Gama de Mendonça, Akira Yamamoto e atletas de outros países.
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1960 - IVº CAMPEONATO PANAMERICANO DE JUDÔ - CIDADE DO MÉXICO – MÉXICO
Equipe Brasileira Bicampeã Panamericana de Judô – México – 1960
Shunji Hinata, Massayoshi Kawakami, Rudolf de Otero Hermanny e Luiz Alberto Gama de Mendonça. Diretor Técnico: Prof. Augusto Cordeiro
Os Bicampeões Panamericanos Massayoshi Kawakami e Luiz Alberto Gama de Mendonça ladeados pelo atleta Luiz Raimundo (“21”) e os torcedores e amigos Mario Silva e José Andyara Infante Vieira.
Em momento de lazer e já Bicampeões Panamericanos, Massayoshi Kawakami, Rudolf de Otero Hermanny, Luiz Alberto Gama de Mendonça, dois dirigentes, Prof. Augusto Cordeiro, Alvaro Loureiro (de tão grande seu apelido era Boi), Shunji Hinata, Luiz Raimundo (21), e o torcedor Mario Silva (conhecido como Mario Cavalo) receberam a visita do famoso Deputado Tenório Cavalcante, aquele da "Metralhadora Lurdinha", que levou o Grupo às gargalhadas ao explicar a técnica que deveriam aplicar para desviarem a bala de um revólver apontado para o peito.
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02/12/1961 IIIº CAMPEONATO MUNDIAL DE JUDÔ – PARIS - FRANÇA
Neste que é considerado o mais importante mundial de judô de todos os tempos, Luiz Alberto Gama de Mendonça, então com 23 anos, não logrou classificar-se, porém, lá esteve presente e pode assistir a um momento histórico que significou o fim da absoluta hegemonia nipônica nos tatames com a vitória de Anton Geesink.
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O Japão - temendo um insucesso - selecionou os seus melhores lutadores para enfrentar aquela promessa holandesa que já os vinha surpreendendo há algum tempo, inclusive, em seus próprios Campeonatos Nacionais, eventos que Geesink participava na qualidade de competidor convidado. 
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A inesperada vitória de um lutador não asiático, em Paris, derrotando, sucessivamente, os mais qualificados atletas que haviam sido recrutados, naquele continente, com a missão de suplantar qualquer adversário ocidental que surgisse, pelo caminho, na disputa da classe OPEN (conhecida no Brasil como Absoluto), até então o único título em jogo, decretou o surgimento - já a partir das Olimpíadas de Tóquio (1964) e do IVº Mundial de Judô realizado na Cidade do Rio de Janeiro (1965) - de outras 03 (três) novas categorias, a saber: Leve, Médio e Pesado e o fim do mito de que a diferença de peso, a maior, não favorece àqueles que possuem idênticas qualificações técnicas.
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Para assistirem aos vídeos das 02 (duas) últimas lutas de Anton Gessink naquela inesquecível competição, basta clicarem nos atalhos, a seguir.

O primeiro, apresenta a semifinal Anton Geesink (Holanda) x Takeshi Koga
O segundo, a final entre Anton Geesink (Holanda) x Koji Sone (Japão)
http://youtu.be/sGYINZyl_co

Após colecionar, ainda jovem, tão importantes títulos, troféus e medalhas, Luiz Alberto Gama de Mendonça surpreendeu a todos ao anunciar, pouco tempo após o Campeonato Mundial de Paris, que iria encerrar sua participação em competições, face a uma nova etapa de sua vida a ser iniciada.

O judô do Estado do Rio de Janeiro (então Estado da Guanabara) e o esporte amador do Brasil necessitaram de alguns anos até conseguirem absorver esta grande e precoce perda.

Ele deixou, entretanto, às novas gerações de nosso esporte, o exemplo de uma trajetória desportiva amparada na disciplina, perseverança, coragem e amor ao país que o viu nascer.
Autor: Augusto Acioli de Oliveira
Judô Clube Juventude (1964 a 1971)
velhoescriba@gmail.com

2 comentários:

  1. Recomendo o blog: http://saunaekultura.blogspot.com.br/2011/12/artigo-do-augusto-acioli.html

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  2. SIM, NÓS TEMOS OS NOSSOS HEROIS!

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