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terça-feira, 15 de março de 2011

Thomaz Green Morton

    Durante alguns anos, Thomaz Green Morton foi considerado o maior paranormal do Brasil – segundo alguns, o maior do mundo – supostamente realizando fenômenos que iam desde entortar talheres – como há anos já vinha fazendo Uri Geller – até curas a distância e teletransporte. De uns tempos para cá, Green Morton esteve um tanto distante da mídia, mas volta agora a estar no centro das atenções com o desafio lançado pelo programa Fantástico, da rede Globo.

O ilusionista norte-americano James Randi, presidente da Fundação Educacional James Randi, está pagando um milhão de dólares para quem realizar um fenômeno paranormal ao vivo e segundo as regras estabelecidas por Randi. O mágico é conhecido por afirmar que todas as pessoas que se dizem paranormais na verdade utilizam truques, ponto de vista que não é compartilhado por inúmeros parapsicólogos.
A Globo anunciou que Thomaz Morton aceitou o desafio, e irá reproduzir um fenômeno que já foi relatado por diversas testemunhas: a partir de um ovo não fecundado, vai fazer nascer um pintinho; mais que isso, o paranormal diz que vai quebrar o ovo, colocar a clara e a gema num prato, e então fazer nascer o pintinho, perante as testemunhas.

Embora a maioria dos parapsicólogos entenda que nem todos aqueles que se dizem paranormais utilizam-se de truques, muitos afirmam que Thomaz apresenta todos os sinais de um fraudador, freqüentemente se esquivando a ser examinado ou a participar de experiências controladas realizadas por cientistas especializados. Uri Geller, outro paranormal bastante criticado, pelo menos seguiu um caminho oposto, tendo participado de experiências em algumas das mais importantes universidades do mundo.
Os fenômenos realizados por Green Morton já chegaram a ser gravados em vídeo e apresentados na tevê, ainda que não se tenha notícia de exames científicos dessas imagens. O psicólogo e parapsicólogo Jayme Jacob Roitman – ligado ao Padre Oscar Quevedo e ao Centro Latino-Americano de Parapsicologia – disse que quando o parapsicólogo estadunidense William G.Roll esteve no Brasil para pesquisar Thomaz, em 1981, pôde perceber as fraudes que ele realizava, e um desses momentos chegou a ser captado em vídeo. Morton estava entortando talheres, sentado à mesa; sem que ele soubesse, a cena foi gravada em vídeo, mostrando que ele pegara um garfo da mesa, escondera-o embaixo da mesma e fizera alguns movimentos com os braços, posteriormente mostrando-o já entortado.

Controvérsias

No livro O Milagre do Rá, de Gary Richman & Lee Pulos, tambem é narrado o encontro entre Morton e o cientista William Roll. Ainda que os autores refiram-se à possibilidade de fraude, levantam outros pontos interessantes; por exemplo, segundo eles, o cientista admitiu que não conseguiu encontrar “explicações convencionais” para a materialização de marcas de queimadura num volante de loteria que havia sido dobrado e fechado em sua mão.
Em outra ocasião, o dr. Roll utilizou uma bússola protegida por um escudo de chumbo e, apesar disso, Thomaz teria conseguido fazer com que ela se movimentasse. No livro, os autores dizem que, durante a experiência, William Roll repetia para si mesmo: “É impossível, isso é impossível”.
Ainda assim, mesmo pessoas mais próximas de Morton já afirmaram ter suspeitado de suas atividades em pelo menos uma ocasião. Para alguns pesquisadores dos fenômenos parapsíquicos, isso não é de se estranhar: casos de fraudes foram registrados com quase todos os médiuns já examinados, e isso pode ser devido à própria natureza dos fenômenos. Como se trata de acontecimentos espontâneos, sempre que são levados a reproduzir os fenômenos em locais e horas específicas, eles encontram dificuldades. Muitas pesquisas realizadas em laboratórios falham justamente por causa dessa essa dificuldade em reproduzir os fenômenos com hora marcada.
Com Thomaz, as coisas nunca são muito simples. Ele chegou a tornar-se uma espécie de guru das celebridades, principalmente depois que a cantora Baby Consuelo popularizou o “Rá”, o grito “energizante” de Morton. Todavia, ele também foi violentamente atacado por estar cobrando quantias vultuosas para suas “consultas”, às vezes prometendo curas a distância simplesmente lendo as cartas que lhes eram enviadas.

Raio do Espaço
Thomaz nasceu no dia 16 de março de 1947, em Conservatória, Rio de Janeiro. Seu nome foi uma homenagem de seu pai, farmacêutico, a William Thomas Green Morton, o descobridor da anestesia geral. Foi criado em Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, onde seu pai tinha uma farmácia.
Segundo se diz, até os doze anos de idade ele era uma criança absolutamente comum. Mas foi justamente no dia de seu aniversário, em 1959, que as coisas começaram a mudar de forma radical em sua vida. Nesse dia, ele sentiu um desejo irresistível de pescar num lago na Faisqueira, local onde seu pai tinha um sítio. Lá, viu um raio descer exatamente na ponta da vara de pescar, ao mesmo tempo em que ouvia seis badaladas que ele julgava vir da igrejinha perto do lago – mais tarde, soube que nunca existiu relógio na igreja. O raio carbonizou parte da vara e fez com que o corpo do jovem fosse arremessado para trás e para cima, batendo no chão e a seguir levitando. Segundo seu próprio relato, ocorreu um desdobramento, e ele pôde observar com toda a lucidez seu próprio corpo recebendo as luzes que vinham de uma nuvem escura.
Ainda teria escutado uma voz: “Thomaz, várias forças te protegeram. A partir desse momento, terás um poder mental muito grande. Poderás curar, ajudar as pessoas a resolver problemas diversos. Chegarás a fazer coisas impossíveis, inexplicáveis. Escuta bem! Não esqueças: guarda este pedaço de varinha pelo resto de tua vida, e a toda pessoa que precisar de alguma força, dá um pedacinho desta varinha. Basta que a pessoa tenha fé e mentalize todos os dias às dezoito horas e terá o problema resolvido. Não poderás utilizar essa força para teu próprio proveito. Este pedacinho de varinha será um meio de sintonização com todas as forças cósmicas e divinas, e formarás, por intermédio dela, uma corrente mental e espiritual muito grande e muito poderosa”.

Mentalização e Rá
Segundo Morton, o que ele ouviu foi a semente do que mais tarde ele chamaria “mentalização positiva”, procedimento que realiza até hoje e envolve uma série de pensamentos voltados para a sintonização com os elementos da natureza, e sentimentos de paz, amor e harmonia.
Alguns pesquisadores da vida e atividades de Thomaz entendem que elementos como a mentalização positiva foram acrescentados posteriormente à sua atuação, como forma de manter o dito médium no centro das atenções e reunir à sua volta o maior número possível de pessoas, o que é negado por Morton.
Segundo a técnica da mentalização sugerida por ele, diariamente, entre as 18h e 18h30, as pessoas podem participar de uma corrente, pois é nesse período que ele está em profunda concentração mental, emitindo vibrações energéticas positivas. É preciso ouvir o CD de mentalização positiva, de Thomaz, segurar um objeto de metal, que é um condutor de energia, e voltar o pensamento a ele, como pólo energético; depois, mentaliza-se e visualiza-se o problema totalmente resolvido. A mentalização seria, portanto, uma dose de energia que Morton estaria transmitindo diariamente, atuando como tratamento.
A palavra “Rá” surgiu em 1980, segundo explica Thomaz, quando estava na propriedade de sua prima Lada. De noite, ele ouviu um ruído na sala da pirâmide, onde costumava praticar a psicocirurgia, e viu uma pedra atravessar a vidraça sem quebrá-la, em seguida pousando suavemente na sala chamada “câmara planetária”, onde realiza energizações. Percebeu que havia sinais gravados em cada lado da pedra. Quando tentou pegá-la, recebeu um choque violento. No dia seguinte, analisando os sinais, concentrou-se e mentalizou, passando os dedos sobre cada sinal. Por duas vezes, o nome “Rá” exprimiu-se com grande força, e a partir de então ele passou a utilizá-lo para liberação de energia positiva.

Contatos Extradimensionais

A partir de 1979, Morton começou a experimentar o que ele chamou de contatos extradimensionais – exatamente no dia de seu aniversário, 16 de março. Pelo que ele diz, sentiu um forte pressentimento de que deveria passar seu aniversário numa fazenda em Divisa Nova, em companhia de seus familiares. Por volta das 23h, Thomaz falou que precisava sair e ficar sozinho, e andou pelo caminho que levava ao lago. Testemunhas dizem que um objeto esférico pequeno e prateado materializou-se no ar, parando alguns centímetros acima da cabeça de Thomaz. Depois, ele andou como um robô e entrou no lago, quando um raio fino e prateado irradiou-se de sua testa. Ele voltou para casa em silêncio e, após ficar meia hora embaixo do chuveiro com roupa e tudo, puderam perceber que ele tinha uma marca na testa, que viria a tornar-se uma de suas características.
A partir de então, as explicações para o que acontece com Thomaz Morton estão, quase sempre, vinculadas com a presença e atuação de OVNIs. É também quando começam a surgir as luzes coloridas que, conforme ele afirma, são seres vivos com nomes como Kriptus, Bio, Ur, Xils, Akron e Zen. As energias com as quais está atuando são, para ele, energias inteligentes, conscientes e extradimensionais; são seres de luz provenientes do planeta Afron-V, da quinta dimensão. Há bastantes testemunhas do aparecimento das luzes coloridas, ainda que vários pesquisadores insistam no fato de que esse seria um fenômeno muito fácil de se produzir de forma fraudulenta.
No livro de Lynette Lucas, Rá – A Mentalização Positiva de Thomas Green Morton, o paranormal revela que recebeu uma comunicação dos seres do planeta Afron, dizendo que para lá “são chamadas as pessoas excepcionais, eleitas por causa de seu comportamento diante dos problemas e sofrimentos que atravessaram, ou então escolhidas por você, Thomaz, que será nosso porta-voz, nosso mensageiro interplanetário…”. Morton teria visitado, desmaterializado, o planeta Afron-V no dia exato em que completava 32 anos.
Aliás, a desmaterialização, ou teletransporte, é um dos fenômenos que testemunhas já atribuíram a Thomaz, que teria desaparecido de um local e, quase imediatamente, surgido em outro a quilômetros de distância.
Entre os demais fenômenos que Morton realiza – e que, igualmente, já foram testemunhados, filmados e fotografados por muitos – está a torção de metais, exalação de perfume, reconstituição de cédulas rasgadas, precognição, telepatia, telecinesia (objetos que se movem ou flutuam graças à vontade do paranormal, que não os toca), materialização de objetos e animais (assim como ressurreição dos mesmos).

Desafio

As dúvidas quanto aos prodígios de Thomaz são constantes, e não têm diminuído com o tempo. Ele próprio afirmou, no livro de Lynette Lucas, que pode desmaterializar-se num local e materializar-se mais adiante, porém se pedissem a ele que deixasse seu corpo naquele instante e fizesse uma viagem astral, ele não poderia fazer. “A primeira que fiz, em Faisqueira, não foi decidida por mim. Foi-me imposta. Não creio que esse seja um procedimento que se possa programar. Os sensitivos e os paranormais que afirmam poder deixar o corpo quando querem mentem”. É uma postura que condiz com o conhecimento científico existente a respeito dos fenômenos paranormais, ou seja, de que eles não podem ser reproduzidos quando a pessoa bem entende, mas que surge inesperada e espontaneamente.
A postura de Morton é praticamente contradita por suas condutas posteriores, sobretudo ao aceitar um desafio público para provar algo que, segundo seu ponto de vista, ele jamais poderia comprovar, a não ser que, no momento em que ele estivesse sendo submetido à investigação, os fenômenos se manifestassem espontaneamente. No caso de James Randi, muitas pessoas do meio parapsicológico, cientistas ou apenas pesquisadores interessados no tema já afirmaram que não existe prova capaz de convencer o mágico; ele simplesmente não aceita a existência dos fenômenos, e ponto.
Seria interessante que Thomaz Green Morton se dispusesse a participar de experiências realizadas por parapsicólogos experientes, em situações de controle científico apurado, como fizeram outros paranormais em épocas diversas. Mas tudo indica que isso não irá ocorrer. Claro que não parece prudente afirmar que ele seja uma fraude devido exclusivamente a esse fato, uma vez que qualquer pessoa tem o direito de recusar-se a participar de quaisquer experiências por motivos particulares. Por outro lado, também é providencial para ele manter esse afastamento dos meios oficiais, manter a aura de mediunidade a toda prova, mas sempre se aproximando de figuras públicas reconhecidas que possam espalhar sua fama. Quanto a isso, o parapsicólogo Jayme J. Roitman foi feliz ao levantar uma questão básica: o fato da pessoa ser uma personalidade, mesmo que ela tenha uma postura nitidamente contrária a fraudes, não significa que ela não possa ser enganada. Um artista não é necessariamente um especialista em truques, em mágica, e muito menos nos aspectos científicos que envolvem os fenômenos parapsicológicos.

Fraude ou Realidade?
Os obstáculos que os parapsicólogos enfrentam nas pesquisas com médiuns e paranormais não são de hoje. Já em relatos do século XIX, pesquisadores costumavam referir-se com freqüência à “personalidade complicada” dos médiuns, muitos deles dados a bebedeiras e comportamentos extremos e irrequietos, como, segundo testemunhas, é o caso de Thomaz Green Morton.
Uri Geller, igualmente combatido por alguns cientistas e denunciado como uma fraude, também tem uma personalidade forte, e costuma criar um verdadeiro caos por onde passa. Os cientistas Harold Puthoff e Russel Targ, que estiveram com ele quando de sua visita aos EUA nos anos 80, afirmaram ser praticamente impossível obter um controle científico absoluto sobre os fenômenos que eles, decididamente, viram ocorrer, tamanha é a dispersão provocada por Geller.
Houve uma época em que os cientistas entendiam que esse tipo de personalidade caótica, muitas vezes egocêntrica, poderia ser um traço marcante em todos ou na maioria dos paranormais, e ainda hoje esse é um assunto para discussão.
O problema é que toda essa polêmica acaba criando uma névoa em torno do conhecimento parapsicológico, que é uma realidade e de caráter absolutamente científico. Na verdade, se James Randi aceitasse provas científicas, teria de aceitar as provas fornecidas pelos mesmos Targ e Puthoff a respeito do que chamaram de “visão a distância” (remote viewing), ou as provas estatísticas levantadas por J.B.Rhine, com as experiências realizadas na Duke University.
Em várias oportunidades em que médiuns ou paranormais foram investigados cientificamente, fraudes foram verificadas, geralmente quando o paranormal não conseguia reproduzir um determinado fenômeno no momento em que era requisitado. Em outras oportunidades, entretanto, a mesma pessoa conseguia produzir o fenômeno sem qualquer problema, e sem que se verificasse a fraude.
Isso tudo quer dizer apenas que os fenômenos parapsicológicos estão longe de ser eventos com uma forma de ação conhecida, controlada. O mesmo ocorre com relação às pessoas envolvidas diretamente com esses fenômenos, de modo que é sempre muito precoce definir uma ou outra situação, ou um ou outro paranormal como fraude.


Para saber mais:
O Milagre do Rá
Gary Richman & Lee Pulos
Editora Nova Era

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A maior dificuldade com relação aos supostos fenômenos paranormais de Thomaz Green Morton parece ser mesmo a dificuldade em realizar-se qualquer tipo de pesquisa controlada. O próprio Padre Quevedo já fez vários desafios a ele, oferecendo dez mil dólares se ele realizasse tais fenômenos sob controle e na presença da imprensa, desafio que, até onde se sabe, foi ignorado.

Fala-se muito do temperamento conturbado da personalidade de Thomaz; que ele gosta de beber muito, que não cumpre seus compromissos, que tenta sempre se manter no centro das atenções, que tem problemas mentais, que procura influenciar as pessoas e utiliza técnicas de hipnotismo. Enfim, os pontos contrários são inúmeros, e torna-se difícil confirmar uma ou outra coisa, uma vez que não se consegue fazer experiências controladas. Por outro lado, problemas de comportamento têm sido relatados com freqüência com relação a médiuns ao longo da história das experimentações científicas da parapsicologia.

Rá – A Mentalização Positiva de Thomas Green Morton
Lynette Lucas
Editora Nova Era

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